Em nova casa no Distrito Anhembi, a BGS 2025 trouxe Switch 2, jogos brasileiros, experiências curiosas e muita nostalgia.
Mais uma Brasil Game Show para a conta! Depois de visitar a feira em outras edições, voltei à BGS 2025 para conferir de perto algumas das principais novidades do mundo dos games e desta vez havia uma mudança impossível de ignorar logo na chegada.
A BGS estava de casa nova. Realizada entre os dias 9 e 12 de outubro, a 16ª edição deixou o Expo Center Norte e passou a ocupar o Distrito Anhembi, em São Paulo. A mudança deu uma cara diferente ao evento, com novos corredores, distribuição dos estandes e uma área dedicada aos desenvolvedores independentes que chamou bastante minha atenção.
Passei pela feira registrando algumas coisas nos stories do Nerdologia Games e, entre grandes empresas, jogos brasileiros e algumas surpresas, teve bastante coisa legal para conferir.
Nintendo Switch 2 foi um dos grandes destaques

Como não poderia deixar de ser, uma das minhas primeiras paradas foi no enorme estande da Nintendo.
E 2025 teve um gostinho especial: foi a primeira BGS com o Nintendo Switch 2, lançado alguns meses antes. Mais importante ainda, essa foi a primeira oportunidade oficial para o público brasileiro testar o novo console em um evento no país.
Havia diversas estações espalhadas pelo estande, com jogos como Mario Kart World, Donkey Kong Bananza e outros títulos do Switch 2. Também encontrei Super Mario Galaxy e várias atividades envolvendo as franquias da Nintendo.
E claro que não poderia faltar Mario e Luigi.
Os dois estavam por lá em um espaço comemorando os 40 anos de Super Mario Bros., daqueles que imediatamente despertam a nostalgia de quem acompanha videogame há algumas décadas.
A Nintendo repetiu uma dinâmica que já havia visto em outras edições: jogar nas estações também rendia brindes, pôsteres e adesivos relacionados aos games.
Pokémon tinha praticamente um espaço próprio
Outro estande impossível de passar despercebido era o de Pokémon.
Uma Poké Bola gigantesca dava as boas-vindas à área da Pokémon Mega Evolução, com diferentes espaços e atividades espalhadas pelo estande.
Independentemente de você acompanhar os games, anime ou Pokémon TCG, é interessante perceber o tamanho que a franquia conquistou por aqui. O espaço estava constantemente movimentado e era facilmente um dos mais reconhecíveis da feira.
Os jogos brasileiros ganharam espaço

Uma das coisas que mais gostei nesta edição foi olhar com mais calma para a área BGS Indie. Às vezes é fácil passar uma feira inteira correndo atrás dos estandes gigantes e esquecer que existem dezenas de desenvolvedores menores mostrando projetos que provavelmente nunca encontraríamos de outra maneira.
E encontrei alguns bem interessantes.
Um deles foi Sophie, um metroidvania brasileiro com uma pixel art muito bonita. Além de testar o jogo, tive a oportunidade de conversar com os desenvolvedores no estande da Dream Stories. Esse contato direto é uma das melhores partes de eventos como a BGS. Você não está apenas jogando uma demonstração: muitas vezes quem está do seu lado explicando uma mecânica é justamente alguém que passou anos trabalhando naquele projeto.
Eden’s Frontier foi outra surpresa

Outro jogo que chamou bastante minha atenção foi Eden’s Frontier. O game brasileiro mistura elementos de hack ‘n slash e JRPG e, visualmente, foi uma das coisas que me fizeram parar no meio do corredor para olhar. Testei a demonstração e conversei um pouco com os desenvolvedores, que foram muito receptivos e explicaram várias coisas sobre o projeto. É justamente esse tipo de descoberta que faz valer a pena reservar algum tempo para os estandes menores. E ainda saí de lá com vários adesivos dos personagens.
De Marvel a jogos feitos para consoles antigos
Também consegui experimentar Marvel Cosmic Invasion, beat ‘em up que imediatamente lembra clássicos do gênero.
Para quem gostou de Teenage Mutant Ninja Turtles: Shredder’s Revenge, é difícil não prestar atenção nele. A proposta combina personagens da Marvel com aquela estrutura clássica de pancadaria que funciona muito bem para partidas rápidas.
Em outro ponto da feira encontrei algo completamente diferente: jogos novos desenvolvidos para consoles antigos.
Ver um jogo atual rodando em uma estrutura inspirada no Game Boy é uma daquelas experiências que combinam perfeitamente com uma feira de videogames. No meio de tanta discussão sobre gráficos, resolução e hardware, alguém aparece desenvolvendo para máquinas de décadas atrás.
Sensacional.
E até Fortnite virou propaganda de chocolate
Uma das ativações mais curiosas que encontrei veio da Messier Tech em parceria com a Arcor.
Eles criaram um nível inteiro dentro de Fortnite para promover o chocolate Block.
É um bom exemplo de como os videogames hoje ultrapassaram completamente a ideia de serem apenas entretenimento. Dentro da mesma feira você encontra desde desenvolvedores independentes criando seu primeiro jogo até marcas usando plataformas como Fortnite como ferramenta de publicidade.
Tecnologia também teve seu espaço
No estande da Samsung havia várias estações com consoles, PCs, notebooks, TVs e monitores.
Uma das experiências mais curiosas foi um monitor com efeito tridimensional sem necessidade de óculos.
É difícil transmitir esse tipo de tecnologia através de um vídeo porque o efeito depende muito da posição de quem está olhando para a tela. De frente, porém, a sensação de profundidade era realmente interessante, com personagem e cenário aparentando ocupar planos diferentes.
É aquele tipo de coisa que você precisa ver pessoalmente para entender.
Yu-Gi-Oh!, Neymar e um crossover que eu não esperava
E falando em coisas que eu definitivamente não esperava encontrar…
Neymar e Yu-Gi-Oh!
No espaço da Konami havia uma ativação envolvendo eFootball e Yu-Gi-Oh! em que era possível transformar o visitante em uma carta.
Não estava na minha lista de possíveis crossovers para uma BGS, mas tudo bem.
Um pequeno pedaço da história da SEGA

O estande da SEGA também guardava uma surpresa para quem gosta da história dos videogames. Por lá encontrei uma réplica do famoso troféu do Sonic, inspirado naquele entregue a Ayrton Senna no Grande Prêmio da Europa de Fórmula 1 de 1993. Para quem cresceu na época da rivalidade entre SEGA e Nintendo, é impossível não reconhecer aquela imagem de Senna levantando o Sonic. Foi uma daquelas pequenas coisas da feira que talvez não tenham fila gigantesca ou uma tela enorme atrás, mas conseguem acertar em cheio quem conhece a história.
Final Fantasy para fechar o dia

E talvez a melhor maneira possível de encerrar uma BGS seja ouvindo música de videogame tocada por uma orquestra. Consegui assistir ao A New World: intimate music from Final Fantasy, concerto dedicado às músicas da franquia. Depois de passar o dia cercado por telas, filas, jogos e milhares de pessoas, sentar e ouvir algumas das músicas que acompanham Final Fantasy há tantas gerações foi um belo encerramento. A apresentação realmente foi um dos destaques da programação daquele ano e contou com músicas de diferentes capítulos da série.
O veredito: a nova casa é maior, mas a BGS ainda precisa se encontrar
A mudança para o Distrito Anhembi me parece um passo importante para o crescimento da BGS. O espaço é maior e existe potencial para que a feira continue evoluindo por lá, mas isso não significa que todos os antigos problemas tenham desaparecido. Nos dias mais movimentados, houve relatos de corredores extremamente cheios e filas enormes, mostrando que apenas aumentar a área disponível não resolve tudo. Também senti falta de algumas das grandes empresas que antigamente ajudavam a dividir a atenção do público entre diferentes pontos da feira. Ao mesmo tempo, gostei de ver uma área maior dedicada aos indies, embora eles ainda mereçam mais destaque dentro do evento — principalmente porque algumas das experiências mais legais que tive nesta edição vieram justamente desses estandes menores. No saldo final, gostei da BGS 2025 e da mudança para o Anhembi, mas saí com a sensação de estar vendo uma feira em processo de adaptação à sua nova casa. Existe espaço para crescer, literalmente, e espero que as próximas edições aproveitem melhor esse potencial, com melhor distribuição das atrações, mais visibilidade para os desenvolvedores independentes e uma experiência mais confortável para quem está ali pelo principal motivo de todos: jogar e celebrar videogames. Reforço que a BGS é um evento que é muito melhor se for compartilhado em 2023 escrevi que a BGS era um lugar para encontrar pessoas que compartilham a mesma paixão pelos videogames, dois anos depois continuo achando a mesma coisa e talvez essa ainda seja a melhor parte da feira.